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Como a liderança servidora pode motivar seus funcionários

Businessman superhero fly pass his competitor. Business competition concept

A figura do líder esteve durante muito tempo associada a uma pessoa altiva, enérgica, habituada a dar ordens e detentora de toda a sabedoria. Etimologicamente, a palavra “líder” tem muitos significados, como “guia” — derivação de “leaden” ou “guiar”, em inglês arcaico, ou “o que vai na frente”, de origem celta.

Os primeiros estudos sobre liderança na história da humanidade trouxeram o líder como uma pessoa que mostrava o caminho a ser seguido: na caça, nas guerras ou na busca por novas terras. Na Mesopotâmia, em 4.000 a.C, já apareciam os primeiros registros oficiais sobre líderes que coordenavam povos para que aprendessem a viver em conjunto.

No mundo dos negócios, a personificação do líder passou a se concentrar na figura do chefe. Detentor do poder e temido por todos. No entanto, essa imagem já não é bem-vista pelo mercado, que necessita de pessoas capazes de transformar o meio em que vivem e motivar pessoas pelo seu exemplo.

E dessa necessidade nasceu um conceito que vem tomando conta das empresas e é a base do livro O Monge e o Executivo – Uma História sobre a Essência da Liderança: a liderança servidora.

A obra, escrita por James Hunter, se transformou numa “bíblia” para o mundo dos negócios, graças às suas lições sobre a importância de servir para liderar. Mas, na prática, o que esse conceito significa? Confira a seguir!

A liderança servidora

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, servir não significa ser subserviente ou se colocar em uma posição de inferioridade. Servir é, em essência, se mostrar disponível e se colocar no lugar do outro — em uma posição de igualdade.

No dia a dia, uma postura servidora está associada ao altruísmo e à empatia. Se você encontra uma pessoa perdida na rua, pode se mostrar um servo ao dar uma informação que a ajude. Se um cliente está insatisfeito com o seu produto, servir é estar disposto a ouvi-lo e ressarcir os seus danos, se necessário. E assim por diante.

Um dos exemplos mais conhecidos de liderança servidora foi Jesus Cristo. Sua trajetória é conhecida por curas de enfermos, multiplicação de alimentos e até ressurreição, no entanto, o seu maior legado — que sobrevive até hoje, mais de dois mil anos após a sua morte — foi a capacidade de liderar e inspirar pessoas perante uma causa.

Isso utilizando um conjunto de características como humildade, determinação, acessibilidade, comprometimento e o seu próprio exemplo.

Uma das suas frases mais famosas resume o conceito de liderança para pessoas que desejam chegar ao sucesso: “Qualquer um que queira ser um líder entre vocês deve primeiro ser o servidor. Se você opta por liderar, deve servir”.

Figuras mais recentes também conseguiram, por meio da liderança servidora, realizar feitos impressionantes, romper barreiras sociais e criar revoluções sem precisar levantar sequer uma arma.

Com uma aproximação recente com o mundo dos negócios, o líder espiritual budista Dalai Lama é um desses exemplos, e tem trazido valiosas lições para quem está em uma posição de liderança.

Uma das coisas mais importantes destacadas nas suas obras é que os executivos devem ouvir as necessidades e ideias e se relacionar diretamente com todas as pessoas que os cercam. Para um líder, “a arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância”.

Nelson Mandela, principal nome na luta contra o apartheid na África do Sul, também se mostrou um líder servidor, defendendo o seu povo diante do governo e racismo que dividia o país, mas demonstrando uma humildade admirável diante das vitórias. Ele também acreditava no conhecimento como arma principal para que um povo mudasse a sua história.

Um líder que se mostre presente para a sua equipe diante das adversidades e assuma responsabilidades quando necessário ganha a confiança das pessoas que o cercam. Já o seu investimento em conhecimento traz para os liderados a capacidade de fazer melhorias e inovar — elementos essenciais na busca por resultados.

Não se colocar no topo de uma pirâmide e tratar a todos com igualdade, independentemente do cargo que ocupem, também é uma característica da liderança servidora. Em um mercado ainda marcado pela desigualdade e, em muitos casos, pela falta de oportunidades, essa lição é essencial para os líderes.

Sua prática foi fortalecida historicamente por figuras essenciais na luta pelos direitos humanos e combate à discriminação, como Whitney Moore Young e Martin Luther King. Para este, o caminho para encontrar a sua capacidade de liderar vem do seu propósito de vida. Na verdadeira liderança servidora, “você não precisa ter um diploma de faculdade para servir (…) Só precisa ter um coração generoso e uma alma movida pelo amor”.

Mais do que funcionários, humanos

Um dos principais segredos das empresas de sucesso é humanizar e enxergar os seus profissionais como pessoas, e não como máquinas de produção.

As novas metodologias de liderança destacam a importância dessa humanização até mesmo na forma de tratamento. A nomenclatura “funcionários” caiu em desuso e deu espaço aos “colaboradores”, vistos não apenas como empregados, mas como pessoas que agregam valor a uma empresa e colaboram para que objetivos sejam atingidos coletivamente.

Mas uma mudança de nome não é suficiente se, na prática, um líder continua com uma postura autoritária, não se relaciona com a sua equipe ou não procura ouvi-la e comanda todos em prol das suas próprias vontades.

Na liderança servidora, servir é não legislar em causa própria, e sim pelo bem coletivo. É deixar o poder de lado e motivar pessoas pelo exemplo, é fazer o que for necessário para que colaboradores atinjam as metas da empresa, mas sem abrir mão do seu desenvolvimento ou bem-estar. Em suma, é se colocar no lugar do outro.

Imagine-se por um instante na posição de um profissional que se esforçou durante anos para conseguir uma oportunidade no mercado de trabalho, que possivelmente abre mão de momentos com a família e enfrenta problemas pessoais, e ainda assim precisa lidar com um chefe arrogante, que usa uma política de “portas fechadas” na empresa e não reconhece qualquer um dos seus méritos. Cruel, não é?

Muitos líderes esquecem que empresas não são feitas apenas de números e lucro, e sim de pessoas. A filosofia do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” não faz mais sentido no mundo corporativo.

Falar da evolução da sociedade e do mercado de trabalho para justificar a mudança no perfil e aspirações dos profissionais já se transformou em um clichê. Mas é um clichê que vale a pena ser repetido.

Um profissional pode investir mais da metade da sua vida se preparando para uma carreira, se levarmos em conta que até mesmo na fase escolar somos incentivados a adquirir conhecimento não para o desenvolvimento pessoal, mas para sermos “alguém na vida” — conceito geralmente associado a uma profissão ou status social.

Por isso, não é incomum que, em um determinado momento da vida, esse mesmo profissional exija seus direitos e tenha aspirações maiores do que apenas conseguir um emprego estável.

De acordo com a empresa de recrutamento online Catho, 81,1% dos brasileiros preferem receber um salário baixo em prol de realização profissional. Outros fatores que se destacaram nesse mesmo grupo — formado em grande parte pela geração Y ou “millennials” (nascidos entre os anos 90 e 2000) — é o desejo por oportunidades profissionais que tragam qualidade de vida e horários mais flexíveis.

Esses dados nos mostram que o “emprego dos sonhos” dos brasileiros e a sua motivação profissional estão normalmente associados a três “R”: respeito, reconhecimento e realização, em uma empresa que tenha sinergia com os seus valores e missão.

Quem pratica a liderança servidora consegue entender essas motivações pessoais e reconhecer as habilidades, pontos fracos, necessidades e ambições dos seus liderados. Se, para você, sucesso é bater todas as metas no final do mês, para um colaborador também pode ser atingir essas metas, mas com o bônus de ganhar oportunidades de aprendizado com esse processo.

Ser um líder servidor é ser capaz de compreender melhor as pessoas e trabalhar em conjunto para que as suas necessidades sejam atendidas. Em troca, você receberá a lealdade, motivação e respeito desses colaboradores.

Quando o líder descobre a sua essência

De acordo com pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2015, apenas 22,7% dos brasileiros sonham fazer carreira em uma empresa tradicional. Esse número mostra que os profissionais têm aberto mão da segurança de um emprego, com benefícios e carteira assinada, em busca de novos objetivos.

A falta de oportunidades de crescimento e problemas com o chefe são alguns dos fatores que têm motivado essa mudança nas metas profissionais. A Associação de Psicologia dos Estados Unidos afirma que 75% dos trabalhadores mencionam os chefes como a sua maior causa de estresse.

Mas por que uma figura que deveria servir como inspiração se transformou em um agente causador de problemas para os trabalhadores?

O mercado de trabalho está repleto de pessoas em cargos de gestão, mas carentes de líderes que promovam a inovação e ganhem a admiração e respeito dos seus liderados. O desafio de muitos gestores é encontrar a sua própria essência e propósito como profissionais.

Não é raro encontrar gestores que são jogados em um cargo sem qualquer preparação psicológica ou orientação e que acabam acreditando que “vestir a camisa da empresa” significa transformar as metas operacionais ou financeiras desses negócios — como aumentar o lucro ou vender mais — em sua motivação pessoal.

Como já dissemos, ser um líder servidor não significa ser um líder submisso. Jack Welch, CEO da empresa General Electric, entre os anos 1980 e 2000, era conhecido como um líder servidor. No entanto, sua gestão era baseada em um ranqueamento de colaboradores por sua performance. Quem se destacava recebia diversos benefícios, mas os 10% que apresentavam o pior desempenho eram desligados da empresa.

Mesmo diante de controvérsias, sua liderança colocou a GE no topo do seu mercado de atuação e gerou milhares de oportunidades para profissionais que realmente se dedicavam. Esse exemplo nos mostra que a servidão não é colocar os colaboradores acima de qualquer coisa.

Toda empresa tem metas que precisa cumprir e todo líder também precisa responder a presidentes, acionistas, fornecedores e clientes que prezam pela qualidade. O que ele não pode é negligenciar quem está sob o seu comando para alcançar interesses pessoais.

Em O Monge e o Executivo, James Hunter destaca esse preceito com a seguinte passagem: “O papel da liderança é servir, isto é, identificar e satisfazer as necessidades legítimas. Nesse processo de satisfazer necessidades, será preciso frequentemente fazer sacrifícios por aqueles a quem servimos” (p. 70).

Um líder que tem o foco apenas em si mesmo fica obcecado com superar concorrentes e impressionar executivos, com medo de errar, e acaba usando o poder como sua principal arma.

Quem lidera deve, antes de tudo, liderar a si mesmo. Caso contrário, corre o risco de:

  • Abrir mão dos seus valores para se tornar uma “marionete” da empresa;
  • Negligenciar seus valores e competências pessoais;
  • Viver em busca de louros por êxitos, nem que eles sejam “roubados” dos colaboradores;
  • Ficar preso a vaidades;
  • Não ter a oportunidade de influenciar pessoas e formar novos líderes;
  • Perder a capacidade de reconhecer a própria humanidade e se colocar no lugar de outras pessoas.

O autoconhecimento é fundamental para que o líder fuja desses comportamentos e consiga encontrar a sua essência: seus valores, papel na sociedade e na empresa que representa, o que é necessário para conduzir a sua equipe com mestria e transformar limitações em oportunidades.

Atingir os objetivos de uma empresa deve ser algo importante na sua rotina, mas não pode se transformar no seu único propósito.

Propósito é o que ajudou Stephen Hawking a superar a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) para se transformar em um físico renomado. Propósito é o que ajudou Steve Jobs a transformar um negócio de garagem na maior empresa de tecnologia do mundo.

Busque o que te move como pessoa e insira essas motivações no dia a dia. Só assim a sua liderança ganhará autenticidade. Também é importante reconhecer o que não está dando certo na sua atuação e que atitudes são prejudiciais ao ambiente que o cerca.

No momento em que um profissional reconhece o que verdadeiramente o move a acordar todos os dias, ou seja, a sua essência, ele se transforma em um verdadeiro líder — capaz de inspirar pessoas e deixar um legado no mundo.

Motivação é técnica, mas também é percepção

Uma tendência recente nas empresas é promover a cultura organizacional. Esse conceito define o seu conjunto de comportamentos, valores éticos e políticas internas. Quando uma organização consegue criar uma boa cultura, é capaz de motivar pessoas e ajudá-las a crescer junto os seus resultados, em um ambiente produtivo, harmonioso e estimulante.

Por isso, as grandes corporações tratam essa cultura organizacional como uma prioridade. O Google, por exemplo, traz em sua estrutura áreas de descanso para funcionários, salas de jogos, bufê gratuito, academia e nenhum horário fixo.

Isso mesmo, os profissionais da empresa não precisam cumprir uma carga horária diária. Cada um sabe exatamente os seus prazos e metas e consegue dar conta do recado.

A cultura da confiança, na qual esses profissionais encontram tempo para se dedicar a projetos pessoais e se capacitar, transformou a empresa em uma das mais bem-sucedidas do mundo. E sete vezes eleita como uma das “100 melhores companhias para se trabalhar” — premiação da revista de negócios americana Fortune.

Esse modelo vem inspirando muitas empresas para motivar colaboradores e promover a retenção de talentos, mas é importante que os líderes tenham sensibilidade para perceber o que pode funcionar, ou não.

Muitas organizações adotam uma política de benefícios, incentivo à cultura e premiações para motivar colaboradores, mas essa não é a realidade de todas. Não é possível exigir que uma pequena empresa ou startup que está começando ofereça as mesmas condições de trabalho do Google.

Líderes podem potencializar a motivação dos colaboradores e o seu próprio desempenho por meio de estratégias simples, como:

1. Feedbacks e reconhecimento

Você já se perguntou por que muitos profissionais que não ganham altos salários ou não estão em um cargo de destaque ainda assim trabalham com tanta motivação?

Todo ser humano precisa se sentir parte de algo para ser feliz. De um grupo de amigos, de uma família ou de uma comunidade. E o mesmo acontece em âmbito profissional.

Se um colaborador sente que pertence a uma empresa que faz a diferença no mundo, que o reconhece e lhe dá oportunidades de desenvolvimento, se sentirá mais motivado a apresentar um retorno.

A fórmula é simples: um elogio alimenta a satisfação, que aumenta a motivação para produzir mais e continuar fazendo o melhor, o que, consequentemente, gera resultados.

2. Flexibilidade e construção de relacionamentos

Para ser um líder servidor, é preciso ser flexível. Toda equipe possui uma série de pessoas dotadas de vontades, necessidades e individualidades. E sem a dedicação dessas pessoas não há negócios.

Não existe uma única metodologia que atenda a todos. A chave para uma liderança servidora é construir relacionamentos, com os quais os líderes serão capazes de identificar quem realmente são os seus liderados, o que os motiva e como é possível mediar os seus interesses para conseguir resultados no coletivo.

3. Oportunidades de aprendizado

Oferecer possibilidade de aprendizado é uma forma simples de atrair e reter talentos, principalmente os mais jovens, que buscam crescimento profissional. Nem toda empresa pode ofertar uma capacitação, como MBA ou especialização, mas é possível oferecer treinamentos internos, palestras e a oportunidade de trocar de atividades por um determinado período.

Essas estratégias simples podem ser valiosas para colaboradores, baratas para as empresas e eficazes para os líderes, que, de quebra, podem descobrir novas habilidades e talentos em sua própria equipe.

Todos somos líderes em algum momento da vida, mesmo que de maneira inconsciente e não planejada. Quando escolhemos que carreira seguir, tomamos decisões no dia a dia ou fazemos mudanças, estamos liderando as nossas ações e impactando as pessoas que nos rodeiam – positivamente ou não.

Como mostramos neste e-book, a liderança servidora é um dos caminhos mais valorosos para quem deseja aumentar o seu desempenho de forma altruísta, construir relacionamentos e influenciar as pessoas que estão sob o seu comando.

Descobrir a própria essência é uma das maneiras de se tornar um líder servidor. Mas nem sempre conseguimos reconhecer sozinhos o que realmente somos e as maneiras de extrair o melhor de dentro de nós mesmo.

Ter alguém que ofereça o suporte e a orientação necessária nessa jornada pelo desenvolvimento é fundamental. Em O Monge e o Executivo, o protagonista, John Daily — um executivo em busca de transformações na sua formas de gestão —, encontra em um mosteiro cristão a ajuda necessária para se tornar a mudança que deseja ser no mundo.

Com o monge Simeão, John e nós, leitores, descobrimos que a capacidade de um líder vai muito além do poder que ele possui. Ele pode melhorar e mudar a vida das pessoas, mesmo fora do ambiente de trabalho. Por isso, a liderança deve ser baseada no amor ágape — que envolve paciência, generosidade, humildade, compromisso e, acima de tudo, sacrifício.

Nem todo profissional tem a sorte de encontrar um líder espiritual que o ajude no seu desenvolvimento pessoal ou apresente todas as respostas para os seus problemas, mas existem outras oportunidades. Treinamentos e processos de coaching, por exemplo, oferecem o apoio para a otimização das atividades de liderança e na busca por autoconhecimento. De forma rápida e efetiva.

E é com base nisso que a Fórmula Treinamentos tem atuado. Nosso objetivo é possibilitar que profissionais mergulhem profundamente dentro de si mesmos e extraiam o conhecimento necessário para melhorar a sua capacidade de liderança, em vez de seguir metodologias preestabelecidas, que nem sempre trazem os resultados esperados.

Essa imersão é fundamental para que criem a coragem necessária para fazer mudanças, melhorem a sua maneira de encarar as situações, aprendam a ouvir, atinjam metas mais facilmente e se transformem em verdadeiros líderes!

Muito mais do que uma mudança profissional, nosso intuito é trazer para os líderes uma mudança de vida completa.

E você, acredita no poder da liderança servidora? Já a aplica no seu dia a dia? Então, não deixe de compartilhar este artigo nas redes sociais! Você ajudará outros gestores a também encontrar o próprio caminho!

 

 

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Xando Natsume
Xando Natsume
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