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O que é a gestão participativa?

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Existem diversas formas de gerir uma empresa. Alguns modelos de gestão são mais restritivos e outros buscam não centralizar as tomadas de decisões em apenas um grupo de profissionais. A gestão participativa, nosso assunto de hoje, atua justamente na descentralização do poder de decisão das empresas.

Para implementá-la com sucesso, é preciso que uma série de ações moldem simultaneamente a cultura organizacional para esse formato de gestão. Antes de explorar como essa engrenagem funciona, vamos entender um pouco melhor sobre o que é a gestão participativa.

A gestão participativa é…

Um processo de liderança estruturado na confiança entre os profissionais de diferentes níveis hierárquicos, que estimulam as pessoas a participar do processo decisório e cultivam a livre interação dos colaboradores nos objetivos da organização: isso é a gestão participativa. Esse tipo de gestão ganhou fôlego durante o processo de fortalecimento do capital humano dentro das empresas.

Um dos ativos mais importantes para qualquer organização, seus colaboradores (capital humano) são os grandes responsáveis pelo sucesso da gestão e dos negócios. Não basta ter um bom projeto de produto ou serviço se você não tiver quem o faça ou o comercialize com excelência.

Nesse cenário mercadológico, que exige cada vez mais rapidez na entrega e na otimização dos produtos/serviços, principalmente com processos inovadores, a gestão foi amplificada. Os colaboradores, então, passaram a ter participação maior nos processos decisórios, sem ter que “pedir benção” para cada decisão a ser tomada. Além da otimização dos resultados, já que tudo caminha com maior agilidade, a gestão participativa estimula as equipes a serem mais eficazes, unidas e funcionais.

Se formos comparar a gestão participativa com o modelo de gestão baseado na administração burocrática, comum na década de 1950, podemos observar que as empresas se tornaram mais humanas e, com isso, têm um tempo de resposta mais dinâmico no mercado. Nos modelos de gestão tradicional (até 1930), havia um caráter autoritário e hierárquico, com foco nas tarefas e na estrutura organizacional.

A partir da popularização do modelo de gestão moderna (até 1960), podemos entender que havia um processo de migração da centralização no dono para o foco no colaborador. Isso porque a gestão moderna já tinha um foco humanístico, com influência das teorias das relações humanas. Ou seja, as empresas deixaram de ser entendias como máquinas e passaram a ser percebidas como um grupo de pessoas.

Os benefícios deste tipo de gestão são…

A gestão participativa está focada em engajar todo o seu público para o desenvolvimento do seu negócio. Por isso, os benefícios são reais e diversos, tais como:

Comprometimento garantido

Quando há uma confiança maior do gestor em seu subordinado, ao delegar tarefas, ele estimula o comprometimento do colaborador em não decepcionar a empresa e, assim, conquistar reconhecimento perante seus superiores. Se você tem dificuldades em transferir responsabilidades, confira o que é preciso ao delegar tarefas.

Crescimento constante

Quando todas equipes estão integradas e focadas em determinados objetivos, a empresa apresenta um crescimento substancial. Isso acontece porque todos os esforços são direcionados para as metas da organização.

Comunicação integrativa

Mesmo que você não se preocupe em facilitar a comunicação de sua empresa, ao adotar a gestão participativa, seus colaboradores tenderão a desenvolver estratégias próprias para se manterem integrados e ritmados em direção ao sucesso.

Competitividade maior

Ao reunir as sugestões de muitos profissionais para inovar em seus produtos, logicamente o seu processo de decisão será muito mais assertivo e criativo. Exatamente o que o dito popular já afirma há muito tempo: “duas cabeças pensam melhor que uma”.

Crescimento dos profissionais

Além da troca de ideias promover novos aprendizados para os envolvidos, ela contribui para o crescimento dos colaboradores, que poderão externar melhor suas competências. Em resumo, o potencial de cada profissional é mais facilmente percebido. Aliás, você sabe como promover um colaborador a gerente?

Para implementar a gestão participativa…

Como esse modelo de gestão depende de um funcionamento coerente entre os sistemas e processos da empresa, suas condições organizacionais e comportamentos gerenciais, a gestão participativa pode exigir um esforço maior na sua implementação. Isso porque será preciso resolver possíveis conflitos de diferentes estilos de gestão entre as equipes e flexibilizar a estrutura organizacional, com um menor número de classes hierárquicas e lideranças representativas.

Este último item é a chave do sucesso para a implementação do modelo, já que os gestores são os responsáveis pelas equipes e deverão motivar seus profissionais a se engajarem nas causas da empresa. Como você pode observar, os dois pilares da gestão participativa são a “participação de todos” e o “comprometimento com os resultados”. Ou seja, nenhum profissional deve ser excluído do processo decisório.

Para que sua empresa não se torne um engodo democrático, com reuniões para discutir e votar até a escolha da marca do detergente sanitário, é preciso otimizar o sistema decisório fazendo com que cada colaborador tenha consciência de suas capacidades e responsabilidades individuais. É fundamental se atentar, ainda, para o fato de esse ser um processo irreversível. Uma vez iniciado, retomar ao modelo antigo de gestão será demasiadamente traumático para os envolvidos.

Alguns cases de sucesso são…

Marisol S.A.

A empresa de vestuário implantou o modelo de gestão participativa há 25 anos e trabalha com grupos de trabalho, comitês operacionais e comitês executivos. Cada grupo tem responsabilidades condizentes com suas áreas de atuação e eles se reúnem periodicamente. Eles debatem e estudam as propostas encaminhadas à empresa para, então, direcioná-las à avaliação da diretoria.

Mesmo com as centenas de empregados em tantos grupos e comitês, a Marisol desenvolveu uma espécie de organismo vivo em sua estrutura organizacional, cujos núcleos funcionam de forma independente e geram soluções para o fortalecimento da empresa.

ICQL Química

Fornecedora da Gerdau, a empresa de produtos químicos para indústria reformulou sua gestão em 2005 e adotou políticas participativas. A empresa desenvolveu processos que buscam a participação de seus fornecedores e clientes na gestão de qualidade de seus produtos.

Os esforços direcionados aos clientes possibilitaram crescimento médio de 25% ao ano e, desde 2010, a empresa vem sendo premiada e reconhecida por instituições como o SEBRAE e a Revista Case Studies, da Fundação Getúlio Vargas.

ArcelorMittal

Considerado o maior grupo siderúrgico do mundo, a empresa divulga compromisso com a satisfação dos colaboradores, requisito para o sucesso empresarial. Para obtenção e manutenção de um certificado, a empresa adotou uma caixa de mensagens como forma de participação.

Em estudo realizado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, foi constatado que a ferramenta adotada promoveu a valorização dos empregados e os tornou mais produtivos, aumentando, também, o comprometimento deles com o trabalho.

A gestão participativa pode ocorrer em diversos aspectos e diferentes proporções, desde a gestão completa apoiada na participação interna até a gestão de qualidade respaldada pela participação dos fornecedores e clientes.

Tanto nas pequenas modificações trazidas por esse formato de gestão como nas reformulações totais, a gestão participativa promove ganhos reais e proporciona facilidades no cumprimento dos objetivos estipulados. Definitivamente, esse é um processo cuja implantação vale a pena ser estudada.

E então? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário e aproveite para compartilhar conosco se a sua empresa adota este modelo de gestão ou se usa alguma ferramenta que estimula a participação!

 

 

 

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Xando Natsume
Xando Natsume
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